O REENCONTRO

08/06/2013

Eu vou para o campo

Onde há muitas flores

Para cobrir os meus amores

E com suas cores

Aliviar todas as dores

Eu vou para o campo

Onde não há canto

E nem espanto

Há apenas um manto

Para cobrir meu encanto

Eu vou para o campo

Enterrar a tristeza

E a esperança da beleza

Ao amor só sobrará a leveza

E o adeus como certeza.

Vinícius de Moraes diz que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida. Assim, para a vida lhe dar razão, os desencontros serão sempre necessários. Desencontros que trazem o vazio, que o Taoísmo tanto valoriza. Quanto mais vazio, maior a possibilidade de preenchermos com o que queremos e a vida ser mais completa. Ao mesmo tempo, o vazio de saudade, que dói ninguém sabe onde. Dói no vazio. Ousadamente parafraseio Vinícius de Moraes dizendo que a vida é a arte do reencontro, por haver tanto desencontro. O reencontro vem carregado de saudade.  Rubem Alves define assim: “a saudade é a nossa alma dizendo para onde quer voltar”. Voltar, se reencontrar. Fazer do vazio uma alegria. A alegria é uma consequência de tantas coisas boas que se alguém a descreve me faz crer que não é alegria. Volto ao Taoísmo que explica a alegria de um jeito maravilhoso: pelo vazio. Somos mais felizes completos, mas só nos completamos quando estamos vazios. Num exemplo mais prático, a presença de uma pessoa amada traz conforto, mas a ausência traz o desejo da presença, que quando se tornar real, será algo inexplicável, como a alegria plena. O vazio do desencontro nos deixa órfãos de um dos maiores aliados da alegria: o amor. O amor é um sentimento supremo. Nos faz ter atitudes que Jesus ensinaria até para si. É um dos maiores aliados da alegria e um dos maiores aliados do vazio. Está muito próximo da saudade, que é uma tristeza a ser transformada em alegria, através do reencontro com o lugar onde a alma quer voltar. O reencontro é a chance de reescrever algo, de fazer com que o presente seja melhor que o passado. O mesmo Rubem Alves diz que uma ponte  é algo que liga o que será eternamente separado. O reencontro é uma ponte. Estamos separados, vazios, passamos a ponte reencontro e pronto, ali pode morar a alegria, a plenitude, quem sabe o amor. Porque a ponte é caminho único, não há opções e só a atravessamos se soubermos que o que há do outro lado preenche nosso vazio presente. E quando atravessamos, é como se andássemos cheios de alegria dizendo: o inexplicável está a caminho! Talvez eu me reencontre. E saia do campo. Atravesse a ponte e chegue a um outro lugar.

Me mudarei para o Sol

Onde posso me deitar na rede para ler

E nunca estarei só

Só eu não existirá

E tudo será nós

Nós apertados

Com calor de nós

E tudo terá sua vida

E tudo viverá sob a luz

A luz de nós

A luz do Sol.

FILOSOFIA DA ATITUDE

04/04/2012

Outro dia, em mais uma conversa com um grande amigo, falávamos sobre o quanto vivemos na imaginação. Existe algo que me remete muito à imaginação: a filosofia! Mas não porque eu vejo a filosofia como algo imaginário, pelo contrário, acredito plenamente que a filosofia é realidade, atitude para ser mais preciso. Tenho como opinião que a filosofia é o conhecimento que molda nossas atitudes. Mas nem sempre temos essas atitudes. E aí começamos a viver na imaginação. Uma amiga já sugeriu que vivemos 98% do tempo na imaginação, mas me parece que é mais que isso! Estamos sempre imaginando como tudo seria ou, pior, como será. Só será a partir do momento em que fizer. E será consequência do que fizer. E, se tem de fato uma filosofia, fará baseado nela e terá a consequência que deseja. Já vi e ouvi por vezes uma confusão sobre o que é a filosofia, muitos a têm como pensamentos bonitos e complexos. Também são, mas tudo o que temos como valores próprios, crenças, ideologias, até dogmas e paradigmas fazem parte de nossa própria filosofia. Acreditar ou não em Deuses e religiões é um exemplo muito claro e prático de filosofia própria. Ir ao templo de adoração, em cultos, é só a expressão, a religião mesmo é formada pelo ensinamento do Deus adorado que deveríamos colocar em prática o máximo que conseguíssemos. Não é exagero dizer que seguir 100% de uma religião hoje aqui na Terra é impossível. O capitalismo já dificulta bastante isso, não como crítica, só constatação.  Mas esse texto diz sobre agirmos. Transformar as crenças em atitudes, em realidade. Não dá para esperar que algum enviado dos céus venha à Terra ficar dizendo o que devemos fazer, isso sempre partirá de nós de acordo com o que acreditamos ser o melhor! Agora, as frases complexas e bonitas, já vi até em parede de banheiro de bar, no facebook, na capa de caderno de adolescente, mas não vejo tanto nas atitudes das pessoas. O melhor jeito de se divulgar algo é mostrando que na prática funciona bem! E quando digo que não é necessário nada complexo, recorro a um cara que, opinião pessoal, foi um gênio: Chico Science. Olha o que ele escreveu:

“Deixar que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer.
Deixar que os olhos vejam pequenos detalhes lentamente.
Deixar que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como móveis inofensivos, pra lhe servir quando for preciso, e nunca lhe causar danos morais, físicos ou psicológicos”

Se agir de acordo com suas crenças e valores, isso que está escrito acima se tornará tão simples quanto natural. É uma filosofia de vida. Que se levada à realidade não precisará ser repetida à exaustão, como outras frases que lemos muito por aí. “Só sei que nada sei” é um exemplo. E, acreditem, mostrou muito do que Sócrates acreditava como certo. Ele fez. Falou. E ao invés de fazermos também, ficamos repetindo. Por um motivo ou outro, repetir o que o outro faz é mais fácil que produzir uma ação a partir de si.  E quando conseguimos fazer algo que realmente acreditamos como certo, que parte de nossos valores para chegar à realidade, tudo parece mais claro, inclusive as consequências que o ato traz. Tem mais sentido! É isso que nossa vida precisa, sentido.

Abraços,

Fernando Rios.

E A VIDA NOS DÁ O AR DE SUA GRAÇA

23/02/2012

Quantas vezes ouvimos dizer que a vida é feita de caminhos e que escolhemos nossos caminhos e que tudo só se dá por nossas decisões? Várias e várias vezes…… Mas a vida não pode ganhar vida própria? Dar o ar da graça em nossas vidas e dizer que naquele momento quem vai mandar é ela e pronto? Claro que a partir daí voltamos a tomar nossas decisões e escolher nossos caminhos, mas por um fato da vida. Ela prefere ser vivida de outra forma e nos mostra isso de formas variadas que nos faz refletir, pensar e decidir pelo caminho que ela escolheu. Ainda falta muito para controlarmos 100% de nossas vidas sem depender de nada nem de ninguém Quase impossível isso! A vida nos enche de momentos difíceis, aliás, cada vez mais difíceis até que tomamos decisões que fazem a vida voltar ao caminho que a vida quer. Vai dar aquela sensação de que depois de todo o momento ruim, tudo está lindo, mas não passa de questão de referência e de termos entrado no caminho escolhido por nós, mas sugerido pela vida. Ela quer, ela faz. Nós compartilhamos e sentimos pelo corpo. Quantas vezes sentiu algo que não conseguia descrever?  E depois tudo parece tão simples! Não é nada além da vida feliz!  A vida não se restringe à água ou ao oxigênio. Ela quer sentimentos, quer que tenhamos algo que não conseguimos explicar, como – aquilo estava bom, o que aconteceu? A vida sabe mais do que o que aconteceu. Ela sabe o que pode acontecer. E sabe o que será melhor. Mesmo que agora não seja bom. É importante acreditar que a vida quer melhorar, independente de nossas vontades as vezes absurdas. E mesmo que seja difícil, dolorido, encarar o que ela nos mostra, a realidade. Porque não adianta sonhar com algo que a vida é incapaz de nos prover. É imprescindível viver e saber aceitar quando a vida dá o ar de sua graça. Segui-la. Mostrar que estamos suficientemente desenvolvidos para entender um momento ruim como uma dica para que os melhores venham. Obrigado vida, por cada lágrima!

Abraços,

Fernando Rios.

UM TEXTO “DES”

06/01/2012

Desculpem o desabafo, é despretensioso, mas não desnecessário. Seria se não houvesse a desatenção, ou até mesmo desleixo, das pessoas com relação a si mesmas. Desde muito, muitas colocam sobre os outros a responsabilidade de sua felicidade. Desrespeito a si mesmo e, em alguns casos, mostra de desespero. Desencanar da idéia de que só podemos ser felizes por causa de outros já desafoga. Desacompanhados, podemos nos descobrir melhor! Desenvolver felicidade com desapego é mais fácil que desafiar a tristeza por causa de desunião! Não partimos da tristeza para a felicidade via acompanhante. Partimos da própria felicidade para relacionamentos mais descolados. Quando não é assim, a chance de já nascer destruído é grande. Um desserviço à vida. Não podemos tratar nossa felicidade com tanto desdém. E descarregá-la toda no colo de alguém. Desse jeito, desperdiçamos uma chance muito grande  de desfilar sorrisos mais sinceros e menos desolados. Podemos nos deslumbrar destilando nossa felicidade, quando honesta, sem desconfianças! A felicidade é destemida!! Desabala nossas maiores vontades e desbanca os receios! Desumano é desacreditar em si. Desaba o mundo se não vê ninguém próximo para procurar a alegria. Mas ela está aí, é só descobri-la em si que desabrocha na hora, através de descontrolados sorrisos desprovidos de desleixo! Desonestidade nem passa perto! A despeito de toda felicidade descrita aqui, a tristeza também pode ser despejada sobre outra pessoa. Mas, assim como a alegria, também descende de nós. Não adianta desalojá-la que mais tarde ela se desenvolverá novamente e ficaremos destituídos de desejos maiores. Por isso, é melhor não desapontá-la, apenas saber que ela nasceu em nós, por um motivo ou outro, mas é só nossa.  Mesmo destoando da felicidade, o que nos importa mesmo é a natureza dos sentimentos e não o seu destino, pois não existem, sentimentos vão e vêm desenfreadamente. Se desligarmos a tristeza da desgraça, podemos ser menos desafortunados! Basta não se descontrolar. E saber que deste ou daquele momento, nada desabará, apenas renascerá. E como renascerá, depende muito de nossa descontração com relação ao futuro, pois certo que ele virá e, mais certo ainda, que podemos moldá-lo, mas sendo sempre desmascarados. Para não descontextualizar, paro por aqui. Muito tempo sem escrever, desacostumei!

Abraços,

Fernando Rios.

A SUTIL INTELIGÊNCIA DA MORTE

09/11/2011

O maior mistério da vida é uma certeza: a morte. O que conseguimos imaginar sobre nosso fim deve divertir até a foice! Mas a verdade é que não sabemos nada! Cada um defende uma verdade, que não é verdade, mas também não é mentira. Acreditamos em hipóteses mais confortáveis e confortantes a nós mesmos. A morte tem o poder de nos assombrar, de fazer com que tenhamos medo, nos faz ter tantos sentimentos ao mesmo tempo que nem sabemos o que estamos sentindo: raiva, dor, inconformismo, conformismo e até alívio em alguns casos, saudade, dó, vontade de matar, de morrer, de chorar, de sumir, enfim, nos faz sentir tudo com a sensação de sentir nada. Como um vazio cheio sabe-se lá de quê! E não raro, nos deparamos com citações que dizem que a morte só leva gente de bem e quem não é, fica por aqui. É o famoso “vaso ruim não quebra”. Mas quebra. Todos iremos um dia. E essas citações nos permite crer que será quando conheceremos um ser inteligente: a morte. Por que ela só leva as pessoas de bem? É uma inteligência sutil. Nos faz dar o real valor que as pessoas já tinham aqui, mas ainda não sabíamos. Ou sabíamos. A morte nos faz relevar pessoas, obras e revelar sentimentos dormentes. Amamos o que algumas pessoas nos deixam, mas não amávamos tanto quando estavam aqui. Ou amávamos mas não sabíamos como manifestar. A morte nos ensina. Conseguimos dizer tudo o que queremos, o que sentimos. Nos enche de sinceridade. Essa inteligência tão sutil é excelente para aprendermos a valorizar quem realmente gostamos e está aqui: a Vida!

Abraços,

Fernando Rios.

A ARTE DA ALEGRIA

05/07/2011

Tenho a impressão que Deus de vez em quando vem à Terra para se divertir com crianças. Seria injusto pensar que Ele é uma criança, sendo que todas as crianças têm muito Dele. As crianças têm qualidades que vamos perdendo pelo caminho até nos darmos conta de que elas são melhores justamente por essas qualidades que abandonamos. E poucos as querem de volta.  Mas Deus precisa vir para brincar com crianças. Pelo que se diz é o que o move. Crianças brincam com as profissões dos adultos, transformam nossa vida corrida numa brincadeira de uma manhã, uma tarde e mostram o quanto deixamos a vida nos transformar em caricaturas de nós mesmos. Deveriam ser nossos professores por tudo o que carregam consigo. Não podendo ser apenas uma criança, Deus precisa de uma forma para se divertir sem ser uma delas. Precisa olhar nos rostos surpresos e sem preocupações o sorriso de quem está olhando como nós olharíamos o próprio Deus. De quem se deixa levar pelas mais alegres brincadeiras, pelas mais bobas piadinhas e, abusando do que chamamos de ingenuidade e Deus vê como integridade, ri de tudo. Ri até chorar. Até ter a melhor dor de barriga que se conhece. Deus gosta de ver isso. Nos adultos Ele encontra outras coisas. Nas crianças Ele se enxerga. Numa criança rindo, se divertindo, Ele se completa!  Recebe aquelas gargalhadas como uma declaração de amor incondicional. E, enquanto criamos monstros, Deus criou os palhaços. Como palhaço você pode fazer o que quiser, que crianças vão rir, gargalhar como declarações de amor infinito! Não consigo imaginar outra coisa senão que os palhaços representam Deus se divertindo com crianças. Não precisa ser criança para ser palhaço! Precisa ser puro. Saber ouvir aplausos em forma de gargalhadas sinceras. Saber que as lágrimas das crianças ali, rindo, têm forma de sorriso! A alegria de uma criança é a maior obra de arte que existe. Não precisa ter complexidade nenhuma. Precisa de amor. De Deus. De alegria. Não há adulto que não volte a ser criança em uma apresentação de palhaços! Dá vontade de colocar uma fantasia só para poder ver crianças rindo! Até Deus faz isso! Tenho certeza! E com adultos, Ele também gosta de se divertir! Não como palhaço, mas como Deus. Coloca pessoas em nossas vidas, assim, repentina e inesperadamente, que nos tiram sorrisos tão sinceros como os das crianças. Nos dá sentimentos que não acreditávamos existir.  Na verdade mesmo, Deus gosta de sorrisos. Quer ver felicidade onde parece impossível existir. É só isso…… sorrir…… a arte da alegria!

Abraços,

Fernando Rios.

(DES)PREPARO

03/06/2011

Conversas com amigos sempre rendem idéias para textos. Um amigo, daqueles que chamamos de irmão, recebeu, do nada, um e-mail. Um e-mail que mudou completamente o entendimento dele sobre o presente que estava vivendo. Todos nós estamos sempre recebendo notícias, informações, novidades que mudam todo o nosso presente, as vezes até a vida, mesmo que momentâneamente. Parece complexo, mas é simples, como qualquer coisa que é real. Comecei a pensar e prestar atenção e vejo que nunca, repito, NUNCA, estamos preparados para nada. Se estivéssemos preparados para os fatos não imaginaríamos tantas coisas e tampouco precisaríamos estar aqui. E o mais interessante: o e-mail não foi de notícia ruim, pelo contrário, foi agradável. Não estamos preparados para nada. Nem para o que nos acontece de ruim, o que parece óbvio, e nem para o que acontece de bom. Há casos que dão certo e ficamos mais sem saber o que fazer depois disso do que quando dá errado. Isso faz a vida ter graça! A surpresa ainda nos move, é um combustível aditivado para o ser humano. É muito gostoso ver o rosto de uma pessoa que acaba de receber uma surpresa, aquela mistura de descrença com espanto e alegria. Essa feição das pessoas faz a palavra obrigado perder sua importância, pois o agradecimento não vem em sílabas, vem num gesto mínimo, como um sorriso espontâneo. Nós não estamos preparados nem para nossas idéias darem certo. E olhe que nas idéias tudo é fácil e promissor. E não há nada a ver com esperar por algo. Esperar não é estar preparado, pelo contrário, quem está preparado não precisa esperar, sabe que tudo acontecerá na sua hora. Existe alguém assim? Também há aqueles casos quando conhecemos novas pessoas, sem esperarmos, que acabam nos fazendo pensar em coisas que nem passavam perto de nossas cabeças. Ocorre aquele encantamento súbito e que, quando possível, pode se tornar eterno. É lindo quando o efêmero dura toda nossa vida. E não fiquemos tristes por algo que não deu certo. Simplesmente não deu e foi assim. Pensemos mais se estaríamos preparados para dar certo. Pode ajudar no nosso desenvolvimento! Mas também não vamos acreditar que a cada tombo estamos mais preparados para o próximo. O próximo será sempre novo. Controlar nossos sentimentos ainda é algo bastante distante de nossas possibilidades. Mas sentir, qualquer que seja o sentimento, é uma benção. E sempre inesperado!

Abraços,

Fernando Rios.

FANTOCHES FELIZES

18/05/2011

Quando a vida resolve mostrar que quer alguma coisa, por menor que seja,  de nós, percebemos a existência de algo maior, que nos guia. Seja Deus, pensamentos, anjos ou o que acreditar, o que nos ocorre de fato é que ficamos sem controle sobre nossas próprias vidas. É muito estranho, mas muito real! Parece que alguém quer nos dizer: “você faz o que quer até eu resolver que você faça o que eu quero.” E o corpo sofre mudanças, o espírito se comporta como o melhor filho, a psique não se entende e tudo isso junto nos transforma em algo semelhante a um fantoche. São vários casos em que isso ocorre, como num medo grande ou um amor maior. O medo pode ser o belo que nos orienta ou o feio que nos limita. O amor pode ser o feio que nos limita num sem limites ou o belo que nos faz ter olhos para muito além do feio. O medo dá aquela sensação de friozinho na barriga, palpitação e vontade de ir a um lugar melhor. O amor dá a sensação de friozinho na barriga, palpitação e certeza de estar indo a um lugar melhor. E se juntarmos os dois e descobrirmos o medo de amar? Em que isso nos transforma? Mais humanos pelo sentimento de medo ou menos humanos pelo motivo do medo? Deve haver algo muito grande para se sentir esse medo, mesmo que não saibamos. Quando sabemos parece mais controlável, pois a vida segue, o mundo gira e as coisas acontecem, queira a gente ou não, acontecem e os motivos sabidos passarão. Quando não sabemos, inventamos. A pessoa é muito para mim, vou me machucar, não vai querer nada comigo, posso estragar amizade e assim vai. São invenções, não são reais. Real é ir descobrir o que acontece caso esteja amando. E devemos ir. Vivemos muito na base do que imaginamos que poderá acontecer, mas na imaginação nada acontece. O amor existe para ser sentido e é o sentimento maior. O medo pode até fazer parte do amor e podemos usá-lo a nosso favor. De que tenho medo? E o que posso fazer para que isso não ocorra? Pronto! O medo não foi nada mais que um motivador para evitar algo de dar errado. Mas, repito, o que FAZER para evitar o erro. Deixar de só imaginar e fazer. Não há sentimento que não traga algo de bom para nós. E quando fazemos tudo o que podemos e mesmo assim não dá certo, ficamos naquela frustração enorme que parece o fim, como se nossa vida se resumisse ao tempo de se dizer um “não”. E acabou. Sabemos que não é e que tudo continuará até passar a tristeza e quem sabe aparecer um novo amor. Esses amores vão e vem até que um dia a vida resolve mostrar que quer alguma coisa de nós. Essa coisa pode ser “só” um sentimento. Um sentimento maior. Daqueles que dá friozinho na barriga, palpitação e a certeza de que algo maior nos faz de fantoches. Fantoches felizes! É bom se entregar no amor…. mesmo que dê medo!

Abraços,

Fernando Rios.

O QUE É?

28/04/2011

O que é isso que nos causa centenas de dúvidas em volta de uma certeza? E a sensação de perda de controle sobre a própria vida. De que o coração pode fazer o que quer; ele, que bombeia sangue pro corpo e no sangue está tudo que precisamos até para sentir. Que bate em nós junto a uma vontade de se mudar a outro lugar para começar uma nova vida, tudo, desde o zero! O que é isso que nos faz sentir pelo novo lugar algo que parece vir junto com tudo, com o sangue, com o coração, as dúvidas e, claro, a certeza única e soberana? O que causa tudo isso? Como é bom lembrar quando sentimos isso! E como é bom sentir quando lembramos! E não nos compete lembrar, é tarefa maior do que podemos, do que conseguimos, é tarefa pro além do corpo, pro além do óbvio, do claro, do real. É surreal, mas jamais irreal. É uma verdade incontestável, que não depende de nós para existir, pelo contrário, depende de uma simples existência. E mesmo que demore anos, décadas para florescer, mesmo que essa existência esteja ali do seu lado há muito tempo, será a flor que biólogo algum irá catalogar. A florzinha que tem um cheiro que só uma pessoa pode sentir, porque não se sente pelo olfato. Qual o cheiro que não se sente pelo olfato? O que causa a vontade de deixar a família que nos criou por outra que nem existe ainda? E a certeza da liberdade e unidade pessoal não sendo só um…… Que sensação é essa? Que torna mais fácil sonhar acordado que dormindo? Que transforma distância em desejo? Que faz o tempo ganhar velocidades diferentes mesmo sem se alterar? Com tantas perguntas, se me responderem só uma, estarei satisfeito: o que é isso?

Abraços,

Fernando Rios.

O QUE FAZ O TEMPO

08/04/2011

O tempo é o senhor de nossas vidas. Tudo o que nos ocorre, com o tempo se torna passado. Bom ou ruim, se torna passado e, se está passado, não passará mais. Pode ficar aquela lembrança perfeita que nos promove um indescritível friozinho na barriga ou pode nos tirar uma lágrima. O tempo é capaz de tudo em nossas vidas. Até acabar com ela se quiser. Já escrevi sobre o dinamismo dos dias de hoje, em que tudo deve ser rápido e coloquei poema de Fernando Pessoa como antídoto a isso ( http://ferios.wordpress.com/2010/08/23/homenagem-ao-dinamismo/ ) e escrevi sobre o movimento rotatório do mundo e seu universo no post abaixo, mas algo me intriga e quero escrever sobre isso: o que o tempo faz? Qual o tempo do tempo? Alguns exemplos ajudam: às vezes o tempo que se leva para esquecermos algo não cabe dentro da vida. É quando ainda é tudo muito cedo para se esquecer, mesmo que precisemos acabar tudo aqui antes. Quando alguém que gostamos muito nos pede algo, não existe tempo para pensar se faremos ou não, até pensar já está feito! O tempo que uma vida leva depende de como a vivemos, por segundo, minuto, horas, dias, semanas, meses, anos, se baseia em como vivemos cada momento, cada fato por menor que seja. O tempo para se apaixonar é infinitamente mais rápido que um piscar de olhos, não existe cedo, tarde, daqui a pouco ou quando quiser. A paixão é ordem divina que o espírito obedece sem nem sabermos. Quando verdadeira não há tempo que a apague ou esfrie! De tudo isso que falei, parece que o tempo corre mais ou menos. Mas ele nem corre e nem fica devagar. O tempo do tempo é sempre o mesmo, a toada não muda. Nós valorizamos mais ou menos os momentos, o tempo continua andando no seu ritmo sempre, não muda. E nos ensina, ou deveria ensinar, que as coisas acontecem, não importa se mais cedo ou mais tarde, se boas ou ruins, o tempo continuará andando para nós como se nada tivesse acontecido. Sugiro, então, que varramos as mazelas que querem nos enganar que o tempo parou. Ele continua andando na mesma velocidade de quando nos ocorrem bons fatos, que, por sua vez, insistem que o tempo corre. O tempo sabe andar e nós não. Aceleramos e brecamos nossas vidas o culpando por demorar ou correr demais. O último grande aprendizado da vida é andar. Quando já não há mais tempo.

Abraços,

Fernando Rios.